Exemplo na Capital: grupo de mulheres cria produtos com sombrinhas velhas
Iniciativa é da Cooperativa de Educação Ambiental e Reciclagem Sepé Tiarajú (Cear), no Bairro Navegantes
Olívia dos Santos, 90 anos, retira o tecido de uma sombrinha recolhida no lixo
Foto: Mateus Bruxel / Agencia RBS
O fim de uma sombrinha quebrada ou de um guarda-chuva torto pode não ser a sarjeta ou a lixeira, com se costuma ver pelas ruas em dias de chuva com vento. No lugar de abandoná-las sem destino, um grupo de mulheres da Cooperativa de Educação Ambiental e Reciclagem Sepé Tiarajú (Cear), no Bairro Navegantes, está dando um novo destino a elas. Dos restos de náilon surgem sacolas e mochilas de todos os tipos, feitas artesanalmente.
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Idealizadora do projeto, a pedagoga aposentada Natalia Soares, 66 anos, conta que a ideia surgiu há cerca de oito anos, ao ver na rua uma mulher jogar no chão um guarda-chuva quebrado.
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– Na hora, pensei que poderia dar um destino melhor para ele. Como gostava de costura, comecei com alguns testes. E deu certo porque também estamos ajudando o meio ambiente – recorda.
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Disposta a ensinar outras na lida diferenciada, Natalia uniu-se à Cear. É lá que as mulheres separam os que chegam entre os produtos recicláveis, os desmancham, lavam os tecidos e fabricam o novo produto.
Aos 90 anos, Olívia dos Santos mostra vigor de menina ao desmontar em menos de um minuto uma sombrinha velha. Ágil, precisa de apenas uma faca de ponta para separar do arame a costura do tecido. Numa única tarde, ela desmancha até 150 guarda-chuvas e sombrinhas.
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– Gosto porque o dia passa rápido, e ainda dá para fazer um troquinho – comenta Olívia.
Sacola confeccionada com tecido de guarda-chuvas e sombrinhas
Foto: Mateus Bruxel/Agência RBS
Encomendas
Disposta a dar nova vida aos restos de sombrinhas, a ex-auxiliar de lavanderia e hoje cozinheira do Cear Vera Lúcia Silva Duarte, 60 anos, está aprendendo a costurá-las. Ainda nas primeiras tentativas, Vera Lúcia tem dificuldades para trabalhar com o tecido de náilon. Mas garante: é uma terapia.
– O tecido é escorregadio, tem que ter muita paciência. Mas é um aprendizado. A faculdade que vou levar para o túmulo – garante.
Vera Lúcia Silva Duarte costura sacola com o tecido retirado de uma sombrinha
Foto: Mateus Bruxel/Agência RBS
Os preços dos produtos variam de R$ 4 (lixeira para carro) a R$ 20 (mochila). A sacola simples, com bolso interno para celular (foto), é das que mais são pedidas e custa R$ 8.
Coordenadora do Cear, Maria de Lourdes Figueiredo conta que a Cooperativa parou por alguns meses com a produção por falta de compradores para os produtos. Mas está retomando, aos poucos, o trabalho:
– Precisamos de interessados em produzir e, principalmente, de encomendas.
Você também pode colaborar
– As mulheres da Cear aceitam doações de sombrinhas e de guarda-chuvas. Também aceitam encomendas de empresas.
– Cooperativa de Educação Ambiental e Reciclagem Sepé Tiarajú – Rua Frederico Mentz, 1167, telefones 8036-0199 e 9899-5706.
De Aline Custódio, do Diário Gaúcho